Männerfreundschaften
Rosa von Praunheim ocupa, sem dúvida, uma posição especial no cinema alemão. Como nenhum outro, ele entrelaça elementos autobiográficos com a vida pública e a produção cinematográfica: pioneiro e líder ativista do movimento gay e lésbico na Alemanha, figura pública controversa, agraciado com a Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha, cineasta incansável, autor de não-ficção, diretor de teatro, escritor, e também, até 2006, professor de direção cinematográfica. É considerado um importante representante do cinema alemão pós-moderno nos gêneros de documentário, cinema de autores e de vanguarda e pioneiro do cinema Queer. Ele filma intencionalmente de forma amadora e estridente, ultrapassando intencionalmente as fronteiras do gosto burguês. Seu trabalho abrange mais de 150 curtas e longas-metragens, livros, peças de rádio e peças de teatro, vídeos e curtas de televisão.
Nascido em 1942 em Riga, como Holger Mischwitzky, Rosa von Praunheim cresceu perto de Berlim e em Frankfurt. Apenas no ano de 2000 ele descobriu que foi adotado. A pesquisa sobre suas raízes foi documentada por ele, em 2006, no filme extremamente pessoal Meine Mütter - Spurensuche in Riga. (Minhas mães - em busca de rastros em Riga).
Em 1961, Rosa von Praunheim, como ele passou a se chamar, começou a estudar pintura. Na esteira do movimento estudantil, ele interrompeu os estudos e trabalhou em filmes experimentais, séries de fotos e manifestos. Em 1967 estreou no cinema com o curta Von Rosa von Praunheim. Seu primeiro longa-metragem, a produção de baixo orçamento Die Bettwurst (1970), filmado com atores amadores, se tornou rapidamente um filme cult na cena Queer. No mesmo ano, foi lançado seu filme inovador Nicht der Homosexuelle ist pervers, sondern die Situation in der er lebt (Não é o homossexual que é perverso, mas a situação em que ele vive), que gerou grande repercussão e da noite para o dia estabeleceu Rosa von Praunheim como um ícone do movimento gay alemão.
A homossexualidade e sua história continuam sendo o tema determinante em sua obra: Der Einstein des Sex (O Einstein do Sexo), de 1999, Männer, Helden, schwule Nazis (Homens, heróis, gays nazistas), de 2004, Berlin Callboys, de 2012, apenas para destacar alguns, e a partir da década de 1980 também a propagação deprimente da AIDS, como no primeiro longa-metragem alemão sobre o tema da AIDS, Ein Virus kennt keine Moral (Um vírus não conhece moral), de 1986.
Sujeitos recorrentes são também personalidades femininas fortes como em Unsere Leichen leben noch (Nossos cadáveres ainda vivem), de 1981, excluídos sociais em Ich bin meine eigene Frau (Eu sou minha própria mulher) , de 1992, com e sobre Charlotte von Mahlsdorf, assim como reiteradamente Nova York em Überleben in New York (Sobreviver em Nova York) , de 1989.
Em seu aniversário de 70 anos, em 2012, seus ex-alunos de cinema Tom Tykwer, Robert Thalheim, Axel Ranisch, Chris Kraus e Julia von Heinz prestaram-lhe, com o filme Rosakinder, uma homenagem muito pessoal. A emissora de televisão RBB transmitiu, na mesma ocasião, uma série de curtas-metragens de 700 minutos do cineasta intitulada Rosas Welt - uma novidade na televisão alemã, pois nunca antes fora concedido a um único documentarista tanto tempo de transmissão.
Em 2019, von Praunheim recebeu, por sua obra, um prêmio no importante Pink Apple Festival para gays e lésbicas em Zurique. Em 2020, o festival de cinema Max Ophüls o homenageou “por seus serviços ao cinema de língua alemã e como pioneiro do movimento gay na Alemanha Ocidental” com o prêmio de honra do Festival de Cinema de Saarbrücken.
Goethe era gay? E quanto aos seus contemporâneos? Inspirado no livro “Warm Brothers. Queer Theory and the Age of Goethe” (2000), de Robert Tobin, Rosa von Praunheim procura analisar essas e outras questões em cenas de teatro e documentários. Nesse caso, não é feita nenhuma reinterpretação dogmática, porém abre-se um novo espaço de possibilidades de pensamento.
Em 2018 foi premiado como melhor longa-metragem no Festival de Cinema Lichter Frankfurt.
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